Esta semana a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que as exportações de ovos somaram 22,6 mil toneladas entre janeiro e setembro, quase o triplo do volume embarcado no mesmo período do ano passado. Diante do aumento repentino, há quem se pergunte se vai faltar ovo no mercado interno. Segundo a ABPA, não vai, não.
“É um pouco mais de 1% da nossa produção”, lembra o diretor de mercados da associação, Luis Rua. “Olha o frango: 33% do que a gente produz é exportado e o brasileiro não está comendo menos frango. São dinâmicas separadas.”
No caso do ovo, o consumo per capita no Brasil chegou a 241 unidades no ano passado, cerca de 80 ovos a mais por pessoa do que uma década atrás.
A ABPA quer mais é que as exportações brasileiras continuem avançando e gerando oportunidades para os produtores locais. Nos últimos anos, alguns granjeiros largaram a atividade por conta da queda abrupta da rentabilidade, muito em função dos custos elevados de insumos usados nas rações.
Em 2023, os embarques internacionais renderam US$ 56,3 milhões ao setor, mais que o triplo do que no ano passado. A percepção é que, mesmo pequena no todo, a exportação é importante para o equilíbrio do segmento.
O setor está no caminho certo, diz Rua, mas é preciso tempo. Os embarques de frangos e suínos se tornaram pujantes após décadas de trabalho setorial. Além disso, as produções de ovos costumam ter seus mercados internos como principal via de escoamento.
“O que temos feito é levar o produtor para feiras como a Gulfood, Sial Paris e Anuga. Promovemos degustações e ações das empresas. Tudo para criar essa visão de que os embarques podem ajudar em momentos complicados”, afirma o diretor da ABPA.
O trabalho contínuo já rendeu frutos importantes, como a abertura dos mercados do México, maior consumidor per capita global (350 ovos por pessoa ao ano), e do Chile, hoje o terceiro maior importador do ovo brasileiro.
O que tem facilitado é que as exportações, outrora 100% de produtos in natura, agora tem metade do volume em processados. Importadores conseguem adquirir gema, clara, albumina e outros produtos separadamente. "Eles compram só o que precisam, e isso também facilita a logística", afirma.
Fonte: Globo Rural