O Brasil marca presença histórica na Gulfood 2026, maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio, realizada desde o dia 26 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a delegação brasileira reúne 192 empresas — número recorde — e deve gerar negócios superiores a US$ 3,5 bilhões ao longo do evento e nos próximos 12 meses.
Durante visita aos estandes e reuniões com entidades parceiras nesta quarta-feira (28), o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, demonstrou otimismo com os resultados. “A previsão inicial era de US$ 2 bilhões em negócios. Nesta edição, acreditamos que o Brasil pode ultrapassar US$ 3,5 bilhões em vendas. Esse é um trabalho integrado da Apex com o Ministério da Agricultura e o Itamaraty, alinhado à estratégia do presidente Lula de reposicionar o Brasil como protagonista no cenário internacional e como fornecedor de segurança alimentar ao mundo”, afirmou.
A participação brasileira na feira é coordenada pela ApexBrasil em parceria com os ministérios da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDIR), além do Sebrae, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e de diversas entidades setoriais, como ABIEC, ABPA, IBRAFE, ABIPESCA e UNICAFES.
Com cerca de 8,5 mil expositores de 130 países, a Gulfood 2026 deve receber mais de 150 mil visitantes. O espaço destinado às empresas brasileiras cresceu 26% em relação à edição anterior, refletindo a ampliação da presença nacional em mercados estratégicos. Para o embaixador do Brasil nos Emirados Árabes Unidos, Sidney Leon Romeiro, a feira simboliza o fortalecimento da imagem brasileira no exterior. “Esta é a mais importante das feiras do setor. Em nenhuma outra a presença do Brasil é tão marcante. Aqui vemos a integração entre governo, iniciativa privada, cooperativas e entidades que promovem inclusão, o que reforça nossa agenda de segurança alimentar com os Emirados Árabes”, destacou.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Luis Rua, ressaltou o caráter histórico da participação brasileira e a importância da cooperação entre o setor público e o produtivo. “A Gulfood é um espaço para discutir oportunidades, desafios e estratégias conjuntas que ampliem a presença do Brasil nos mercados internacionais”, afirmou.
Pescados ganham protagonismo
Entre os setores em destaque, o de pescados desponta como uma das apostas para o futuro do agronegócio brasileiro. Segundo Jorge Viana, a piscicultura reúne condições para se tornar uma das grandes estrelas das exportações nacionais. “Estamos no início do ano e já construindo uma nova história para o setor de pescados. O Brasil tem um potencial extraordinário de crescimento, principalmente pela abundância de recursos hídricos”, afirmou, ao destacar a parceria inédita entre a ApexBrasil e a Associação Brasileira da Indústria de Pescados (Abipesca).
Viana citou o exemplo da China, que, mesmo com menor disponibilidade de água, domina cerca de 60% do mercado global de pescados. “Não é um modelo para criticar, mas para nos inspirar”, disse.
Carne bovina e proteínas animais ampliam presença
A carne bovina brasileira também ocupa espaço estratégico na feira. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, a Gulfood é fundamental para consolidar mercados no Oriente Médio e abrir novas oportunidades na Ásia e na Europa. “Participamos da feira há duas décadas. Nossa presença reforça o compromisso do Brasil com a oferta de carne de alta qualidade, sustentável e alinhada aos rigorosos padrões internacionais, incluindo os requisitos halal”, afirmou. A atuação da Abiec na feira ocorre por meio do projeto Brazilian Beef, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil.
O setor de aves, suínos e ovos também apresenta resultados positivos. Jorge Viana elogiou o trabalho da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na expansão das exportações. “O crescimento do Brasil na Gulfood reflete o profissionalismo do setor e o potencial das proteínas brasileiras nos mercados mais competitivos”, afirmou.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou que os resultados atuais são fruto de um trabalho de longo prazo. “Essa construção vem de anos e tem colocado o Brasil como protagonista global na venda de proteína animal. A parceria com a ApexBrasil foi essencial para esse avanço”, disse. A Apex e a ABPA atuam conjuntamente em projetos como Brazilian Chicken, Brazilian Egg, Brazilian Breeders, Brazilian Duck e Brazilian Pork, voltados à promoção internacional das proteínas animais brasileiras.
Fonte: https://feedfood.com.br